A Norte, a Educação e a Juventude
No dia 10 de Setembro, sob a moderação de Jorge Almeida, quarto na lista de José Vaz, decorreu a 2ª sessão do ciclo de Conversas, no Navio Museu Stº André – , com Pedro Vaz (Secretário geral Adjunto da JS) e Prof Júlio Pedrosa, (ex Reitor da Universidade de Aveiro e ex Ministro da Educação).
Pedro Vaz salientou que entre as preocupações na política para a Juventude estão a existência de condições para que o município não envelheça e o aumento da qualidade de vida.
Defende que os Municípios devem criar condições para os jovens se fixarem na sua Terra porque a construção de um futuro melhor começa com os jovens. Segundo Pedro Vaz, existem 3 vectores que considera serem fundamentais para o sucesso de uma boa política da juventude: Educação, Emprego e Habitação.
Cabe também às Autarquias promover a criação destas condições para apoiar os jovens a fixarem-se e a viverem na sua terra. Defende que deve existir sensibilidade e vontade política para que os projectos sejam uma realidade.
“No Município de Ílhavo é necessário e urgente que exista apoio à Habitação a Custos controlados. É necessário fugir ao modelo normal de habitação para os Jovens. Estes demoram cada vez mais tempo a emanciparem-se. Dentro das dificuldades está o acesso ao crédito”. Para este efeito, sugeriu uma redução e diferenciação das taxas e licenças (IMI, IRS, taxas de construção e outras).
No que respeita ao Emprego referiu que as incubadoras de empresas são uma boa forma de criar emprego e potenciar a capacidade empreendedora dos jovens.
Sublinhou a importância dada pela candidatura ao Conselho Municipal de Juventude, essencial para o desenvolvimento de políticas de juventude que impulsionem a responsabilização na participação dos jovens.
O Professor Doutor Júlio Pedrosa, começou por afirmar que a Educação é fundamental para o desenvolvimento humano. Não pode deixar de estar no centro das políticas locais. Portugal tem a maior percentagem de pessoas com formação inferior a 9 anos, apesar do caminho percorrido nesta matéria nos últimos anos.
Referiu que a descentralização está a acontecer no sistema educativo. Nos últimos anos foram dados passos importantes em termos de políticas de educação e social, nomeadamente na transferência de competências para as autarquias. As escolas são agora mais dinâmicas graças ao novo Regime de Administração e Gestão das Escolas que define as linhas estratégicas e que permite envolver a toda a comunidade local através do Conselho Geral da Escola.
Estas mudanças geram oportunidades. Apesar disso, – questionou - “qual o papel que queremos ter na construção de um modelo mais completo. Queremos ser agentes reactivos ou pró-activos”?
Convidando a uma reflexão sobre o que é educar, rapidamente encontrar-se-ão três ou quatro respostas para os problemas das autarquias nessa matéria. Depois, basta que os decisores se coloquem de acordo para as aplicar.
A terminar, foram apontadas quatro plataformas possíveis.
-Estimular, promover a participação de todos os agentes. Os Conselhos Municipais de Educação e os Conselhos Gerais das Escolas são duas formas muito importantes;
- Deve existir maior responsabilidade por parte da autarquia nas primeiras fases do desenvolvimento escolar do indivíduo. Para o efeito é necessário maior apoio social desenvolvido em rede inclusive intermunicipal;
- Deve existir aposta forte na rede de escolas até aos 6 anos, que poderiam ser o ciclo da educação primária. Quem o pode fazer? Os municípios. Mas estes têm capacidade e pessoas habilitadas para o fazer? – Sugeriu para reflexão.
- Um Município deve apostar nas políticas educativas de proximidade e em rede. É fundamental que exista uma forte articulação das várias entidades: a Autarquia, a Escola, a Associação de Pais e Empresas para o ciclo dos seis anos seguintes, o ciclo do ensino secundário.
A sintetizar os dois painéis, para colocar a diálogo as ideias apresentadas, o moderador sublinhou que a aposta do PS vai exactamente ao encontro do que foi dito. Foi bem claro que as ideias partilhadas serão objecto de trabalho do programa do PS, que passa por apostar nas pessoas e no seu potencial transformador, assim como ir ao encontro de quem mais precisa.
A centena de pessoas que se deslocaram ao “Sto André”, num debate muito participado, apresentou ideias e provocou o diálogo com a mesa em matérias que questionaram a acção do actual executivo em políticas de juventude e subsidiárias, problemas como a toxicodependência, desemprego e a habitação; a constituição do Conselho Municipal da Juventude; a falta de transportes e apoio aos alunos com técnicos especializados, como por exemplo psicólogos, assistentes sociais.
Foram também debatidos alguns potenciais modelos de redes mais participativas sem onerar os orçamentos. Alertou-se para a necessidade de reconstruir a Educação em Portugal, incluindo as pessoas portadoras de deficiência.
No que respeita à habitação ainda foram sublinhadas as vantagens dos custos controlados para promover o arrendamento e a interligação com os agentes do sector.
Por fim, sublinhou-se que é muito importante haver critérios na decisão para que se atenda às soluções concretas para os problemas das pessoas em detrimento da monumentalidade de uma determinada obra ou equipamento.












